Nascido em 9 de abril
de 1970, em São Paulo – Capital, Chorão
mudou pra Santos ainda criança, e em 1992 fundou, junto com o guitarrista Marco
Antonio Valentim Britto Jr (Marcão), o baixista Luiz Carlos Leão Duarte Junior
(Champignon), o baterista Renato Perez Barrio (Pelado) e o também guitarrista
Thiago Raphael Castanho, na 1ª formação, e, respectivamente o baterista André
Luiz Ruaz (Pinguim), e o baixista Heitor Gomes.
Uma história engraçada,
que começa com um acidente de carro, onde Chorão atropelou uma barraca de coco,
em Santos, que tinha o nome de Charlie Brown, termina com pouco mais de um mês
após a morte do vocalista.
Chorão viveu 42 anos
que representaram quase um século para a juventude brasileira. 15 anos de
carreira que nunca será esquecida. Quem nunca batucou na escola, na prancha de
surf - durante uma session no mar -, e nos Half's da vida, músicas da banda
Charlie Brown Jr?
No desejo de que sua
alma esteja em paz e em um bom lugar, relembro sua vida, My Brother, com essa
canção. Com ela amores começaram se intensificaram e se eternizaram... Muita
gente passou a ter mais atitude, sonhar mais alto e agir conforme desejo próprio
depois de ouvir essa canção. O seu lugar é no céu
agora, mas a luta continua por aqui, em busca de nosso Lugar ao Sol.
Ninguém nunca dirá que um
sorriso ou uma troca de olhares, ou até mesmo aquela pessoa que passa lá, bem longe do seu: “Nossa..., que linda!”, será um daqueles amores que te marcam como
tatuagem. E quando este sentimento surge você nunca poderá medir seu tempo de
duração.
Ninguém está imune às
armadilhas da solidão e das válvulas de escape. E quando elas se mostram necessárias,
a outra parte sempre julgará inconveniente, decepcionante ou até mesmo como uma
traição.
Mas o que fazer com as
lembranças dos toques, dos olhares, dos fluidos e daquela sensação de que o
mundo poderia acabar naquele instante em que os corpos, exaustos, caem um no
outro? Como prosseguir em paz sabendo que existe ainda uma atração, um desejo -
e mais que isso -, um amor que faz o peito esquentar de tal maneira que até
pensamos em desistir de tudo por causa dessa dor, inofensiva aos nervos, porém,
totalmente suicida à alma?
Prova boba de algo parecido, porém, super significante
Azul é a Cor Mais Quente
é bem o retrato desta situação em que, por falta de diálogo e desgaste do
tempo, amores e paixões arrebatadoras se desfazem, mas que sempre deixa alguém sofrendo
e com a esperança de que toda magia verdadeira que rodeava a história se faça
mais importante que as dificuldades da relação.
No romance, Adèle (Adèle
Exarchopoulos) vive uma paixão arrebatadora por Emma (Léa Seydoux), e aí está o
xis da questão: O filme só podia ser francês... (Risos). E é claro que é! E sem
nenhuma renuncia ou crise existencial, Adèle acaba encontrando nos braços e na
cama de Emma tudo aquilo que ela não conseguia sentir em suas histórias com
meninos.
Tudo começa quando ela
cruza com Emma, na rua. Quem vê alguém interessante passar e não dá uma
olhadinha pra trás, para conferir?.
Emma - Léa Seydoux
O fantástico não está na
homoafetividade, e sim na entrega que acontece entre as duas. Emma, mais velha,
estuda Belas Artes e desde os 14 anos já havia experimentado ficar com garotas.
Adèle, ainda menor de idade (15 anos), vivia os conflitos de sua adolescência e
algumas frustrações por não ter encontrado a sensação de entrega em si, com os
garotos qual ficava.
Com mundos e planos de
futuro totalmente opostos, elas não resistem à conexão que seus corpos
produziram nos encontros vespertinos, no parque, e se entregam completamente.
Adèle - Adèle Exarchopoulos
Emma passa a ver Adèle
como a musa inspiradora de seus retratos artísticos e as duas começam a viver
juntas, só que a diferença cultural entre elas vira um abismo muito grande
na relação, e Adèle, solitária - pois o mundo de Emma é repleto de signos e
pessoas que afastam uma da outra - vê em seu colega de estágio, onde era
professora do maternal, uma válvula de escape. Mas Emma descobre e decide
terminar o relacionamento.
Adèle passa três longos
anos sofrendo com a falta que Emma lhe fazia, e mesmo depois de um reencontro,
sua ex (que já estava em outro relacionamento) não conseguiu entender a importância
que ela tinha em sua vida.
Assista o trailer do
filme:
O filme é polêmico - como
toda boa história deve ser -, e mata toda curiosidade dos leigos sobre como é
uma relação sexual entre duas mulheres. Com cenas fortes e ousadas, Azul É a
Cor Mais Quente foi premiado no festival de Cannes e existem diversos debates
sobre questões feministas que envolvem a história, além de brigas e acusações
de assédio moral feitas pela atriz Léa Seydoux ao diretor Abdellatif Kechiche.
Mas, pra mim, não há o que contestar... A história, as cenas, o enredo e a
falta de hollywoodianismo característicos dos filmes franceses deixaram esse
drama perfeito!
No último fim de
semana, dias 9 e 10/11, visitei uma das cidades que mais cresce culturalmente no Recôncavo
baiano. Não que lhe faltasse ícones de cultura, isso foi uma das coisas que
mais me confundiu nesta minha segunda passagem por lá. Eram tantos signos,
tantas referências... A cidade em destaque é Cachoeira, uma cidade histórica,
que guarda tatuada em suas construções coloniais, marcas da luta e
vitória que foram fundamentais para a independência da Bahia, no ano de
1823.
Construções coloniais de Cachoeira
Algo que chamou minha atenção: Então quer dizer que o Brasil já era
independente, porém a Bahia não?
Solícito, meu acompanhante
Carvalho, F., alguém muito envolvido com a literatura, e apaixonado pelas
belezas históricas e referenciais de lá, me explicou que, quando D. Pedro II
declarou o Brasil independente de Portugal, nas margens do Ipiranga, em 1822,
na Bahia o processo não se firmou logo, pois os portugueses tinham um interesse
maior em nossas terras do que no resto do País. Não que eles não quisessem a
maioria restante, mais aqui era o foco principal para a continuação da
colônia. E foi em Cachoeira que a luta pela independência da Bahia começou,
terminando na capital, no dia 2 de julho de 1823.
Estátuas esculpidas em madeira no museu onde funcionava a cadeia
Hoje, mistérios se misturam
com iniciativas culturais. Uma das estórias mais interessantes
é algo místico que busca explicar certos atrasos evolutivos e até políticos
desta e de outras cidades do recôncavo.
Meu amigo me contou –
quando já estávamos indo embora –, que os espiritualistas
locais acreditam que, nestas cidades existe um atraso
social, pois enterraram um esqueleto de burro (equino) nelas. Se for falácia,
nem eu nem ele poderíamos contradizer, pois é de bom tom respeitar e levar a sério
os preceitos religiosos desta região.
Cachoeira é vizinha de
São Felix, uma cidadezinha fixada no alto de uma pequena formação de
serra. As duas se ligam através da ponte de ferro Dom Pedro II, construída sobre o rio Paraguassú,
que dá continuidade a uma ferrovia. De vez em vez, um dos sentidos é
liberado, ora para Cachoeira, ora para São Félix, com fluxo monitorado via rádio
por agentes de trânsito, localizados nos dois extremos da ponte.
Ponte sobre o Rio Paraguassú, que une Cachoeira a São Felix
Mas é como se não
houvesse divisão. Pelo menos é o que aparenta para os visitantes, e, sinceramente, nem quis entrar nesses assuntos de relação
social entre os moradores, até porque a riqueza cultural desta região é tão
fantástica que não dá pra pensar em outra coisa, senão em apreciar!
Galeria de Arte Pouso da Palavra, que foi residencia do poeta Damário da Cruz
No primeiro dia, visitamos
a casa Pouso da Palavra, que foi residência do poeta e fotógrafo Damário da
Cruz, e hoje é um centro cultural e galeria de arte. Lá, comprei um suvenir, uma camisa com estampa de um dizer do Damário: “GlobalizaCÃO... Quanto mais
sonho com Cachoeira, mais acordo em Nova York”. Fiquei surpreso e alegre, junto com meu
companheiro de viagem, ao ver que um de seus poemas estava no livro da edição
2013 do concurso de poesias que leva o nome do ilustre “Da Cruz”. Tudo isso depois de ter comido uma gostosa moqueca de peixe, observando a paisagem da
orla com vista para a vizinha São Félix.
Parte interna do mercado municipal
No mercado municipal
era dia de feira. Já conhecia o ambiente da primeira vez que visitei (muito rapidamente) a cidade, em uma das excursões da aula de fotografia, do curso de
jornalismo, coordenado pelo professor (um dos melhores que conheço) João Alvarez. Lá, comprei um pote de ambrosia, e fui confundido, talvez pela roupa
ou pela anemia de minha pele, com um carioca. Expliquei para a simpática feirante
que eu era tão da terra quanto ela e que venho das bandas da Ilha de
Itaparica. A dona, pelo que percebi, não acreditou, mas enfim... Foi um reencontro
interessantíssimo com aquela bagunça comum de feira.
As siglas significam: Pedro Quer Ter Renda Lucro e Valores
Meu amigo até que
tentava me explicar a importância dos signos humanos contidos nos nomes dos casarios,
monumentos e ruas da cidade, mas eram tantos que eu me perdia.
Mais algo
chamou nossa atenção, no último dia de visita: um bar que se chamava PQTRLV.
Que diabos seria aquilo?
Curioso, fui perguntar
ao dono do estabelecimento, seu Zé Miúdo, e ele nos contou que seu cunhado
chamado Pedro, que era dono daquele e de mais outro bar na cidade, colocou
o nome, e que a sigla significa: Pedro Quer Ter Renda Lucros e Valores.
Na verdade, as letras possuem dois significados, mas o segundo só você indo lá
e perguntando pra ele, pois é tão pitoresco e picante que jamais contaria aqui (risos).
Fanfarra em cortejo pelas ruas de Cachoeira
Na noite de sábado,
após um bom jantar e uma reserva de Cabernet Sauvignon, num dos diversos
restaurantes com boa comida que a cidade possui, fomos ao início do festejo da
festa da D'Ajuda. Posso dizer que foi a parte mais elétrica desta visita
maravilhosa à Cachoeira. Ao som da banda de fanfarra da cidade – que começou
com o hino do Senhor do Bonfim – demos um giro de 360º ou 180º, ou sei lá..., na
cidade. Num ritmo frenético, moradores e turistas cantavam e dançavam no
cortejo. Não aguentei o pique quando chegamos à parte mais movimentada da
cidade, e como se diz aqui na Bahia: “pedi pepeô” ao meu amigo. Descansamos em uma
das pracinhas próximo à orla e, depois, exaustos, fomos dormir.
"A festa da D'Ajuda guarda
segredos e lendas", foi o que meu amigo disse. Ele me explicou que, no carnaval, espíritos se misturam aos foliões que mantêm a tradição da
fantasia. Uma das vestimentas, omandu, quecobre todo o corpo, apenas deixando os olhos à mostra e parece até com
a roupa usada naquele clã Ku Klux (infeliz comparação, mas parece), era para
que crianças que sofriam com doenças de pele pudessem brincar, nos festejos. Ele
disse também que Yemanjá entra nessa história, mas eu já estava com um delay
tão grande na mente, devido aos signos locais, que nem pedi maiores explicações.
Mãe Fiinha, da Irmandade da Boa Morte
Essa festa tem relação com a Irmandade da Boa Morte, da qual tive a oportunidade de fotografar a
Mãe Fiinha, um dos ícones desta tradição religiosa.
Por fim, após passar uma ótima tarde em um balneário muito aconchegante, captureiimagens da fauna aviária e do por do sol.
Ficarão as recompensas dessa viagem maravilhosa e a saudade desta cidade, da qual levei fotos, suvenires, doces e uma
paz tão intensa que nem preciso mais pular ondinhas, no Reveillon, devido à
quantidade que recebi das estórias, histórias e espíritos.
Confira esse vídeo sobre os mandus, e conheça mais sobre a cultura de Cachoeira.
Antenado em buscar e
divulgar inovações que vão desde o mainstrean ao underground, Som Di Track
estará colado na apresentação do projeto Folk Industrial do cantor e compositor
baiano Jong de Cerqueira, junto com o grupo Sertão Elétrico, que acontece na
próxima quarta-feira (06/11), às 19 horas, no Teatro Eva Herz, Livraria Cultura do Salvador Shopping. O evento será gratuito.
Misturando sons
indígenas com canto de vaqueiros..., uma mistura de Luiz Gonzaga com Jackson do
Pandeiro, porém, cheio de originalidade, misturando a essência do som da região
nordeste com aspectos do rock progressivo influenciado por Led Zeppelin, Pink
Floyd e Metállica e ritmos dançantes como o soul e o hip hop. E o melhor: tudo
isso com um enfoque ecológico que evidencia as riquezas do semiárido
brasileiro.
Foto Facebook
Vários artistas irão
colaborar nesse baião de muitos, que Jong apresentará. Marcelo Francis na
guitarra progressiva, Oswaldinho do Acordeom na sanfona e Lincoln Olivetti nos
teclados.
Vamos ver o que vai dar
dessa mistura musical que envolve o rock, o baião, o sertanejo, o soul, o hip
hop e a originalidade Folk de Jong. Som di Track se arrisca a dar um parecer:
VAI SEM MASSA!!!
O QUÊ: Show de
lançamento do CD de Jong de Cerqueira “Folk Industrial”
ONDE: Teatro Eva Herz –
Livraria Cultura, Salvador Shopping. Av. Tancredo Neves, nº 2915, Caminho das
Árvores - Salvador/BA.
QUANDO: Dia 06 de
novembro, às 19 horas.
QUANTO CUSTA: Entrada
franca
Confira o vídeo da
música O Sonho do Guerreiro, do artista Jong de Cerqueira
Rebeca Matta, Alinne Rosa, Luiz Caldas Margareth Menezes, Kall Medrado e Carla Visi Juntos no palco do TCA
A noite de Salvador, na
última quarta-feira 23/10, foi marcada por festa de muita emoção, boa música e
conscientização a respeito do diagnóstico e prevenção do câncer de mama, e o
protagonista do evento foi o músico Luiz Caldas que realizou o espetáculo Mulheres
de Luz junto com as convidadas Alinne Rosa, Carla Visi, Kell Medrado, Margareth
Menezes e Rebeca Matta.
O show foi promovido pelo
Projeto Repartir, organização beneficente que desde 2007 atua na questão, como
parte do movimento Outubro Rosa. Toda a arrecadação foi destinada ao Núcleo
Assistencial a Pessoas Com Câncer (Naspec). Além de Luiz, o Teatro Castro Alves,
local onde o espetáculo aconteceu, foi parceiro da iniciativa.
Alinne Rosa e Luiz Caldas
Clássicos da música
popular brasileira que carregam em suas letras o bem dizer às mulheres - Mulheres
de Atenas de Chico Buarque, Mulher Nova Bonita e Carinhosa, de Zé Ramalho,
Dona, do grupo Roupa Nova, Paraíba, de Luiz Gonzaga, dentre outros sucessos - foram
interpretados de forma suave.
Luiz abriu o show cantando a Ave Maria e logo
após algumas canções, Alinne Rosa subiu ao palco com uma leitura inovadora e
dançante de Êxtase, de Guilherme Arantes. Já Kall Medrado interpretou Natural
Woman da cantora americana Aretha Franklin, com uma inspiração que fez jus ao
original.
Carla Visi e Luiz Caldas
Rebeca Matta, em um
belo efeito de luzes, emergiu ao palco acompanhada de uma rosa gigante e cantou
ao som de efeitos de sampler. Carla Visi, cheia de samba nos pés e uma alegria
contagiante, trouxe o Conto de Areia de Clara Nunes.
Além dessas vozes, algumas
apresentações instrumentais marcaram o evento. Clarinete e Pífano deram
estilo e inovação ao show. O atabaque da percursionista Daniela Pena, que
também usou chocalhos, deu um aspecto tribal ao espetáculo. Margareth Menezes deu seu show, quando Luiz, vestido de índio, tocou atabaques ao som da música Mãe Menininha.
Margareth Menezes agradecendo ao público - Foto Joaquim Castro
Luiz Caldas e todas as suas
Mulheres de Luz encerraram o show com a música Maria, Maria, de Milton Nascimento.
Ele agradeceu a presença do público, que em sua maioria eram mulheres,
evidenciando a importância delas, desculpando-se por todos os sofrimentos que o
pensamento masculino causou no decorrer da história.
De forma poética, recitou o poema "A mulher, a Gênese" de autoria sua em parceria com Cesar Rasec, destacou a luta feminina por espaço na sociedade e frisou a importância da atitude
frente ao câncer de mama e outras doenças que possam comprometer a saúde da
mulher.
Luiz Caldas, convidadas e mulheres do Projeto Repartir - Foto Joaquim Castro
Cada convidada deu seu
depoimento sobre a sensação de ser mulher, e logo após, todos os cantores receberam
buquês de rosas das integrantes do Projeto Repartir, todas elas mulheres
comprometidas há muito tempo com a causa. Para conhecer mais sobre o projeto Repartir acesse www.projetorepartir.wordpress.com e curta também a sua página no Facebook. Clique AQUI e confira mais fotos do espetáculo Mulheres de Luz.
Som Di Track conversou com Alinne Rosa, Carla Visi, Rebeca Matta e com Luiz Caldas, confiram:
Rabiscos ganham forma e
expressam situações e sentimentos... Muitas vezes um desenho consegue falar
mais do que mil palavras, e é nessa perspectiva que os desenhos de Elton Silva
e Larissa Rebouças ganharam as palavras aqui escritas.
Em universos diferentes
- pois não se conhecem -, esses dois jovens soteropolitanos buscam um
complemento para a fantasia que reside em suas mentes. Rabiscando, é que eles
encontram a válvula de escape. E que belo escape.
Larissa tem 18 anos e é
estudante. Deseja se profissionalizar no desenho e seus rabiscos
têm a intenção de mostrar ao mundo que a arte pode substituir a violência. É
uma menina serena, porém curiosa e inteligente, que faz de sua aparência algo
interessante, pois ainda possui traços da puberdade. Aplicada em desenhos de perfis humanos, ela demonstra ter controle sobre os traços que risca.
Elton Silva feito à mão
Elton tem 22 anos e é
técnico em informática, cursou Engenharia da Computação, mas desistiu por não se
identificar com a área de Exatas. É blogueiro (possui dois blogs: Relatos Banais de um Cidadão Comum e Solidão com Vista pro Mar). Gosta de poesias e é
muito bem articulado com as palavras. Filosófico e analítico, Elton desenvolve diálogos e reflexões nas tirinhas que desenha.
Desenhar exige, de quem
pratica a arte, técnica e precisão, mas também é imprescindível que se tenha
dom, pois é através da percepção que o artista irá tornar sua obra em algo
ímpar, ou pelo menos diferenciada.
Elton Silva feito à mão
Larissa Rebouças feito à mão
Elton e Larissa são pessoas
de natureza muito boa. A convivência com eles foi pouca (com a Larissa um pouco
maior), mas classificaria muito positivamente a personalidade dos dois.
Larissa Rebouças
Elton Silva
Larissa parece que
sempre está a te perguntar algo, mesmo sem perguntar nada. Deve ser por causa
dos seus óculos e seu olhar de interrogação.
Elton é mais vibrante.
Usa poesia e a análise filosófica até em respostas simples, além de ter um
senso de honra e respeito muito grande por quem com ele conversa. Esses talentos, com
certeza, ganharão espaço onde quer que eles escolham aplicar seus trabalhos, e
vale muito a pena prestigiar o começo da atividade de pessoas assim. Com talento.
Para trilha sonora dos pedacinhos da história artística destes jovens soteropolitanos, Som Di Track indica o videoclipe em animação A Lack of Color da banda Death Cab For Cutie:
- Alguém que vale mais em
CPF do que em simpatia e sorriso?
- Bípede meio carnívoro,
meio vegetariano todo errado?
- Resto abandonado de
evidências superiores oriundas de seres habitantes do nada múltiplo estelar? Um erro do subverso...
Na pior das hipóteses,
uma raça qual O Criador (quem?) deu plenos poderes de governo sob tudo que
existe nesta esfera azulada, conjugada na 3ª pessoa do sistema solar...
A criatura Foto Joaquim Castro
Tentando despertar sua
fúria ou simplesmente justificar (ou não) sua adesão aos concórdios (na forma
da lei), impostos por sei lá quem que se diz ser: SISTEMA, Espelho Pra Cegos é
um disparate sem precedentes que busca no meio do nada humano, uma
justificativa (ou não) para algo que persiste em perturbar nossa existência:
CADÊ O PROPÓSITO?
Soturna, irreverente, clara e obsoleta, seu desenrolar retrata o rastro das subpastas e arquivos Temporary Files que residem lá nas quinas de nossa mente, que nunca nos damos conta de como esse lixo mental arquivado influencia o nosso estado racional. A prova que precisávamos para justificar a necessidade de uma infinita Lavagem Cerebral.
Esse nosso mundinho insanamente perfeito, fechado por círculos e esferas, onde é mais fácil viver e apodrecer dentro delas do que sair e enfrentar a realidade; a luta contra a beleza indiscreta que as afeições sistemáticas nos causam; a obrigação moral que nos fita todos os dias através de nossas janelas pessoais, enfim... Enfrentar a realidade (existe?) e a irreverência problematizada dos dogmas e das referências que nos farão ser gente sólida e constituída, evidenciando o choque entre estas questões que, no final, irá nos reduzir a pó.
...Que merda!
Uma apresentação visual abre o espetáculo, e logo após os monólogos começam a serem proferidos. Borboletas, caracóis, vazio, cavalo, circulo... temas múltiplos em linha decrescente (que dá a entender que a coisa está sempre a piorar). A peça proporciona ao espectador não só um texto surreal, mas também uma dinâmica diferente, com palcos espalhados pelo salão do Teatro, e a proximidade do público com os atores que em certos momentos parecem participar da encenação, seja no fixar dos olhos que os personagens direcionam para quem está próximo - ao monologar -, ou em momentos em que eles saem de seus palcos e circulam através da platéia. A música é soturna. Lembra o barulho de máquinas ou naves espaciais, se preparando para pousar e caçar abduções. A luz é pouca e carregada de fumaça, descrevendo um aspecto frio e mórbido.
O Homem do Conserto Foto Joaquim Castro
Matéi Visneic, um
audacioso ilustrador de ideias em maquete teatral, Romeno, oriundo das
catacumbas filosóficas da Universidade de Budapeste, embriagou de surrealismo o
texto desta obra que é simplesmente UM ABSURDO!
A Constituição Foto Joaquim Castro
Um belo espetáculo de
Márcio Meirelles e com a colaboração de Bertho Filho(ambos, peças ímpares do
teatro baiano), e encenado pela Cia Teatro dos Novos e pela Universidade Livre
de Teatro Vila Velha, Espelho Para Cegos está em cartaz no Teatro Vila Velha
neste domingo 20/10 e na próxima segunda-feira 21/10, e também de 24 a 27/10
(de quinta-feira a domingo).
SERVIÇO
O QUÊ: Espelho Para
Cegos - Espetáculo baseado no livro de Matéi Visniec, que aborda a decomposição
das relações humanas, a solidão, o controle social e outros entraves
contemporâneos.
QUANDO: Dias 21 e 22/10
e de 24 a 27/10 a partir das 20 horas
ONDE: Teatro Vila Velha,
Av Sete de Setembro s/n - Passeio Público, Campo Grande, Salvador - Bahia.
ELENCO: Teatro dos
Novos (Anita Bueno, Neyde Moura - em vídeo, Sônia Robatto e Zeca de Abreu);
Universidade Livre de Teatro Vila Velha (Kadu Lima, Lucílio Bernardes, Roberto
Nascimento, Tiago Querino, Vinicius Bustani e Yan Britto) com participação de
Bertho Filho, Fernando Fulco e Will Falcão - locução dos vídeos.
A sonoplastia desta peça, que está aos comando de João Millet Meirelles, me lembrou o belo trabalho surrealista do Pink Floyd, no disco Ummagumma, exclusivamente nas Sysyphus. Ouçam e se inspirem!