Depois de reviver os clássicos do grupo de Rock dos anos 70, Pink Floyd, reproduzidos pela Banda Spectro, num Tributo ímpar que aconteceu na noite do último dia 9/10, no Teatro SESC Casa do Comércio, o Projeto Repartir continua a desenvolver ações beneficentes em prol
do Movimento Outubro Rosa, em apoio ao Núcleo Assistencial a Pessoas com Câncer - Naspec. Ainda contando com a
presença de Luiz Caldas, que agitou a noite de tributo à Pink Floyd junto com
Tuca Fernandes, Márcio Messeder e Arôldo Macedo, o Projeto Repartir traz para o
Teatro Castro Alves o espetáculo Mulheres de Luz, que acontecerá o próximo dia
23/10 e contará com as presenças das cantoras: Margareth Menezes, Alinne Rosa,
Carla Visi, Rebeca Matta e Kall Medrado.
Meninas do Projeto Repartir no Back Stage com Tuca, Luiz e Banda Spectro
O show está marcado
para as 21 horas e celebrará a vida e a luta das mulheres que enfrentam com muita
coragem o câncer de mama, além de passar uma mensagem de conscientização para a
prevenção e diagnóstico do câncer.
O Outubro Rosa é uma iniciativa que visa conscientizar sobre a importância
da prevenção e diagnóstico do câncer de mama. O movimento surgiu em
1990 na primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova York - EUA, que anualmente é
promovida na cidade.
No Brasil, a primeira
atividade do movimento foi em 2002, em São Paulo, capital, quando no dia 02 de
Outubro do respectivo ano, um dos monumentos mais conhecidos da cidade foi
iluminado na cor ROSA.
Em 2007, o Naspec foi pioneiro em apresentar
atividades relacionadas ao Movimento Outubro Rosa, na Bahia.
O Projeto Repartir, que
começou suas atividades em Salvador também no ano de 2007, é um dos colaboradores do
Movimento.
SERVIÇO:
O QUÊ: Show Mulheres de
Luz com Luiz Caldas, Margareth Menezes, Alinne Rosa, Carla Visi, Rebeca da
Matta e Kall Medrado.
ONDE: Teatro Castro
Alves. Largo do Campo Grande, Salvador – Bahia.
Confira o vídeo do
último evento do Projeto repartir, com alguns momentos do Tributo à Pink Floyd
e entrevistas com Tuca Fernandes, Luiz Caldas e Patricia Gomes - Presidente do
Projeto Repartir.
A noite da última
quarta-feira (09) foi marcada por variações no clima da cidade do
Salvador. As fortes chuvas que caíram na cidade, para muitos, teve um motivo
ímpar pra despencar aos montes. Estou falando do espetáculo que a Banda
Spectro realizou em tributo à uma das maiores bandas de rock de todos os
tempos: PINK FLOYD.
O show, que começou às
21h, teve aproximadamente duas horas de duração e aconteceu no Teatro SESC
Casa do Comércio, localizado na Av. Tancredo Neves, Região do Iguatemi, levou o
público a uma viagem à década de 70 e 80, onde os pupilos de Cambridge - UK
desenhavam os sentimentos e emoções de uma juventude que tinha o céu como
limite. Os convidados: Arôldo Macedo, Márcio Messeder, Tuca Fernandes e Luiz
Caldas fizeram parte desse show em prol do Movimento Outubro Rosa, realizado
pelo Projeto Repartir em apoio ao Núcleo de Assistencial a Pessoas com Câncer –
Naspec.
Banda Spectro, Arôldo Macedo (com instrumento) e Márcio Messeder à direita
Another Brick In The
Wall, Dogs, Comfortably Numb, Breathe, Echoes, Shine On You Crazy Diamond, Young Lust dentre outras, foram tocadas com muita responsabilidade, precisão e
estilo, pois, segundo Aloísio Messeder (Tecladista e Vocal), "a banda não toca
cover, pelo contrário, se diverte e sente toda emoção inserida em todos os
acordes e efeitos criados por Gilmour, Waters, Mason, Wright e Syd". Desta
forma, tocar Pink Floyd junto com seus amigos: Maurício Chastinet (guitarra
solo, vocais), Eduardo Gil (guitarra base, violão, vocais), Moacir Mallandro
(baixo, vocais), Alex Canguçu (bateria), Júnior Sena (percussão e samplers),
Ângela Moura e Juliana Bastos (backing vocals) é uma experiência que vai muito
mais além de um simples (por mais que seja bem feito) cover.
Confira algumas fotos do show:
Tuca Fernandes
incorporou toda a ousadia da década de 80, quando o Movimento Punk fazia a
juventude ferver e revolucionar, tanto no estilo de se vestir, como nas ideias
sociais. E junto com a banda, tocou Young Lust, que remonta claramente os
sentimentos daquela época que até hoje se faz presente: “Será que tem alguma
mulher nessa terra deserta que me faça sentir como um homem de verdade? Pegue
esse refugiado do Rock And Roll, querida. Ohhh, Me liberte!”. A letra é clara,
né?
Márcio Messeder cantou
Have A Cigar. Um clássico da década de 70, que ilustra a tentativa do mercado e
do capitalismo em barganhar jovens talentos e explorar seus dons sem ao menos
saber o propósito de seus talentos: “Bem, sempre tive um profundo respeito, e estou
tentando ser muito sincero. Eu realmente acho a banda simplesmente fantástica. A
propósito qual de vocês é o Pink?”.
Luiz Caldas e Maurício Chastinet tocando Dogs
E o que falar da
presença de Arôldo Macedo e Luiz Caldas? A genialidade que esses dois ícones da
música baiana carregam foi capaz gerar o que hoje chamamos de Axé Músic, mas
foi com o rock que embalava suas juventudes e nos solos de guitarra da época
que tudo começou. Luiz Caldas e banda Spectro tocando Dogs foi um dos momentos
mais marcantes da noite, e o jovem garoto Luizinho se sentiu um verdadeiro Rock
Star, com um visual excelente, sempre representado por seus cabelos
encaracolados e sua jaqueta de couro.
Banda Spectro e convidados juntos tocando Wish You Were Here
A noite terminou com
todos no palco tocando Wish You Were Here, fazendo com que cada um pensasse em
um velho e bom amigo distante ou que já tenha partido, e em como gostariam que
ele estivesse ali, naquele momento: “Somos só duas almas perdidas nadando em um
aquário ano após ano. Correndo no mesmo velho chão o quê encontramos? Os mesmos
velhos medos... Queria que você estivesse aqui...”.
Som Di Track deseja estar presente nos próximos espetáculos da Banda Spectro, sentindo a
magia e a nostalgia que Pink Floyd traduz.
Banda Spectro e convidados recebem buquês de rosas, entregues pelas mulheres do Projeto Repartir
O Projeto Repartir está
de parabéns pela iniciativa, pois não trouxe apenas a satisfação de ouvirmos boa
música tocada por excelentes músicos, nos deu também o prazer de ajudar e se
sentir parte de um coletivo humano que, de alguma forma, ajuda outras pessoas
na luta contra o Câncer.
Para conhecer mais
sobre o Projeto Repartir, acesse a página no facebook. E se você ainda
não conhece a banda Spectro, acesse www.bandaspectro.com.bre curta a página deles no facebook, Assistam ao vídeo da música Shine On You Crazy Diamond e em breve Som Di Track postará as entrevistas feitas no show.
Uma história de amor como tantas outras... Todos os
romances começam de maneira encantadora, claro que alguns são esquisitos e
inusitados, mas, infelizmente não há como prever o fim.
Todos esperam que termine em uma casinha
confortável, depois de uma longa vida de amor e com muitos descendentes, mas o
destino não funciona tão de acordo com nossos desejos.
Na vida de Dangelo, as coisas foram assim...
POR
TRÁS DAS ESCOLHAS
Uma
história de todos nós
Capítulo
III: Coisas que fazem um homem ser só
Luiza - mãe de Isaah - tinha cinco anos quando,
tragicamente, Flora se foi. Dois meses após a morte dela, houve uma tentativa
de sequestro contra a pequenina, no momento em que saia da escola:
- “Deus do céu, Sr. Dangelo! Chegaram dois homens em
um carro vermelho, com vidros pretos, saíram do carro, pegaram a menina e
partiram em disparada sentido ao centro”, relatou a professora, que sempre
aguardava o pai de Luiza chegar para apanhar sua filha, pontualmente às 12
horas.
Senhorita Clarice tinha um apreço muito grande pelo
recém-viúvo e lamentava vê-lo, com tamanha tristeza, fazendo o que era hábito
de sua mulher fazer. Mas aquilo não era só um sentimento comum que se tem, como
piedade ou pena. Clarice foi, durante muito tempo, uma admiradora secreta do
homem que encantava seus ouvidos, durante o período de sua adolescência.
Dangelo havia trabalhado na rádio local, no início de sua carreira, em um
programa matinal que falava sobre cultura e cidadania.
Quando descobriu quem era o dono da voz que lhe
fazia perder o ar, ela descobriu que o coração dele pertencia a ‘menina de
ouro’ do colegial. Flora, pequenina, com seus cabelos longos e olhos profundos,
era a garota mais bonita da 8ª série e todos queriam a oportunidade de
namorá-la. Mas, com um gênio muito forte, ela não dava bola para os garotos de
sua idade. Queria alguém com conteúdo, com planos e que pensasse no futuro de
forma mais concisa, ou seja, alguém mais velho.
Elas nunca foram amigas. Clarice e Flora apenas se
comunicavam de maneira social. Simplesmente “bom dia, boa tarde e boa noite” –
quando se encontravam, ocasionalmente, na pracinha da cidade. Quando descobriu
que seu amado estava encantado pela doçura de sua colega de sala, de início,
Clarice passou a perseguir com conversinhas difamatórias – o que era comum
dentre as garotas daquela idade – mas depois entendeu que com o amor não se
brinca, e Dangelo estava realmente amando aquela garota. Mas voltemos ao fato:
O susto que ele levou ao descobrir que tal mal
aconteceu com a sua filha levou Dangelo ao desespero total. Ele desfaleceu nos
braços de Clarice – como um corpo que cai, sem vida, após um tiro certeiro –
não contendo o terror que lhe corria o sangue.
- “Não se preocupe, Sr. Dangelo. Vamos nos mobilizar
para encontrar sua filha e tudo vai terminar bem. Vamos procurar a policia
primeiro. Lá, eles saberão nos orientar”, disse Clarice, tentando
tranquiliza-lo.
Foram 3 dias de procura até que uma carta anônima
informou onde estava a garota.
A carta dizia:
“Encontre
sua filha nos fundos do velho armazém da rodagem”.
Mas o que realmente impactou profundamente na alma
dele foram as palavras escritas pelos possíveis mandantes desse crime:
“O
que será da vida de um homem que após ceifarem sua árvore ainda levassem o
único fruto que sobrou dela? Atitudes geram consequências, não tome as suas!”.
Ele sabia que não estavam brincando. Ou talvez fosse
ele quem estivesse brincando demais com a sorte – esta que lhe faltou ao levar
Flora - e não devesse mais arriscar:
- “Perder Luiza, jamais!”, pensou ele com extrema
convicção.
POR
TRÁS DAS ESCOLHAS
Uma
história de todos nós
Capítulo
IV: Como será que o amor deve começar?
Aquele amor que lhe roubaram começou de maneira
simples. Ousada, Flora certa feita resolveu ligar para o programa e questionar
a respeito de um comentário feito pelo então radialista:
- “A classe média é a mais hipócrita dentre as
demais, pois os ricos sabem definitivamente o que querem e os pobres conhecem o
que verdadeiramente lhes faltam, e, falando da primeira, é notável que ela vive
da sombra da segunda e da prepotência em contraste à última”.
Depois de alguns minutos de discussão ao vivo, a
garota – enfurecida com os argumentos contextualizados do radialista – resolveu
que iria pessoalmente até a rádio para falar com ele, e - se fosse possível –
com seu chefe.
Dangelo não temeu, mas imaginou que receberia uma
senhora balofa, com um rolo de massa nas mãos e soltando fogo pelas ventas.
Quando viu aquela garota em sua frente, deixou soltar uma gargalhada de
surpresa:
- “Poderia saber o motivo de sua risada? Pois além
de mal informado és mal educado?”, indagou a garota, desafiante:
- “Sinceramente não esperava receber uma garota
tão...”, ele evitou falar, pois não quis que ela pensasse que ele era do tipo
machista:
- “Tão o que? Tenha coragem e termine de falar!”,
retrucou a menina, que tinha as maçãs do rosto avermelhadas de fúria:
- “Uma garota tão feia assim!”, disse Dangelo, em
tom de brincadeira e com um sorriso nos lábios:
- “Seu grosso! Não consigo entender como alguém como
você conseguiu se tornar radialista. Que insulto para a profissão”, exclamou
Flora, tentando ofendê-lo:
- “Garotas como você sempre vão procurar um
pressuposto para justificar um erro em homens como eu. Sabendo disso e não
fugindo, decidi mentir e te dar razões para sua opinião ao meu respeito. Se eu
falasse que és linda, poderia achar que estou fazendo pouco caso de você, e
isso, com certeza, eu não quero fazer”, disse ele em tom sério.
Existem momentos em que o tempo congela e deixa que
o sobrenatural atue com precisão. Foi exatamente um desses momentos que
aconteceu quando Flora olhou no fundo dos olhos dele, após ouvir aquela
explicação. Mas ela não era nada fácil. Mesmo com a resposta dele, a menina não
desistiu do entrave entre eles:
- “Então quer dizer que o Sr, acha que a classe
média é hipócrita, né?”, questionou-o em tom de ironia.
Ele pensou em cantar novamente a garota, mas –
baseando-se em seus próprios conceitos – resolveu responder o questionamento
dela:
- “Ok. Me responda: Audi, Mercedes, Fiat, Chevrolet
ou Honda? Qual tipo de carro você gostaria de ter?”:
- “Não sei... talvez um Mercedes”, respondeu ela:
- “Daqui a quanto tempo você terá esse carro?”,
perguntou ele:
- “Sei lá... Quando estiver formada. Penso em
estudar até ser PhD. Essas perguntas não fazem sentido”, indagou Flora:
- “Verás que faz. Então... Brejo Velho, Itiúba, Nova
Constituinte ou Santa Rita? Onde será sua casa?”, perguntou Dangelo novamente:
- “Deus é mais! Não vou morar em nenhum bairro
desses! Vou morar na capital, provavelmente na Barra ou na Pituba”, enfatizou a
garota:
- “Bem... uma última pergunta: Onde você mora?”.
- “Moro em Noronha, mas é na rua principal! Perto da
Av. Marechal Deodoro da Fonseca”, explicou Flora.
- “É isso aí, garota. Logo abaixo da Marechal fica
Itiúba. Você olha todos os dias para lá e pensa: Deus é mais de eu morar aí. Um
contraste muito forte que separa sua realidade à desse lugar, né? Daí vem as
outras introspecções: desejas um Mercedes, sonhando com um futuro promissor que
ainda não veio, além de querer morar num lugar relativamente abstrato à sua
realidade. O exemplo claro de que a classe que você diz pertencer não só vive à
sombra da riqueza como também menospreza a pobreza das classes baixas.
Resultado: sem identidade, sem consistência e meramente hipócrita, porque diz
sempre coisas que não condiz com sua realidade”.
Ela se pegou pensando nos contrapontos expostos por
aquele homem, ao mesmo momento em que reparava no estilo simples, porém
ajeitado, que o rapaz possuía. De certa forma ele parecia saber do que falava e
isso a tirava do sério. Talvez fosse o fato de que isso lhe tirava o chão dos
seus pés.
Já não conseguia mais pensar no paradigma
existencial de sua classe. O que dominava seus pensamentos era a vontade de ver
aquele homem que trajava jeans azul e camisa polo, sapatos pretos e cabelos bem
penteados, usando bermuda, de peito nu e óculos escuros, lhe fazendo companhia
em uma praia do litoral.
Ou talvez dirigindo um Mercedes conversível, rodando
pela orla de Salvador... Mas seus pensamentos foram interrompidos pela voz
rouca que vinha de um velho cheirando a cinza de cigarro, que o chamava para
voltar ao posto, pois a segunda parte do programa já estava pra começar.
Depois desse encontro Flora passou a ouvir com
outras ideias, as indagações do homem que conseguiu lhe arrancar suspiros. O
visitou outras vezes até que o namoro começou. Casaram-se e depois de 3 anos
veio a pequena Luiza, realizando o maior desejo do casal.
Nesse capítulo, vamos
conhecer um pouco mais da história do avô de Isaah. Sr. Dangelo é um homem
assombrado por seu passado. Dores e situações irreversíveis fizeram com que ele
acabasse por desistir de lutar em prol dos seus ideais.
Um homem que viu seus
amores serem levados pela vida e pelas consequências terríveis causadas por sua
audácia e ousadia.
Boa leitura!!!
POR
TRÁS DAS ESCOLHAS
Uma
história de todos nós
Capítulo
II: Cada homem com seu tempo... Cada dor com sua hora
Era como se as primeiras décadas do início do
terceiro milênio retornassem e, aos poucos, aquela cena trágica se repetisse.
Flora foi durante muito tempo a única pessoa que conhecia o seu estado de medo,
mas não lhe bastava seus conselhos. Dangelo nunca cedia aos perigos que sua
ousadia lhe impusera.
Naquele dia eram apenas eles dois, dirigindo pela estrada
sinuosa da BA – 001, quando, de repente, sentiu faltar sensibilidade nos
pedais. Em uma curva muito fechada, onde um despenhadeiro os esperava como se
fosse um encontro inadiável, o carro perdeu o controle e caiu.
Ele ficou sabendo meses depois que o carro havia
sido sabotado, e que a principal suspeita era a de tentativa, de certa forma
com êxito, de queima de arquivo, pois ele tinha como provar o que todos daquela
cidade sabiam, mas não tinha meios concretos de comprovar.
Inimigo político da família mais poderosa da região:
a família Machado, Dangelo militava ao lado do povo, instruindo-os, de maneira
fraterna e exata, como lutar a favor de seus direitos.
Não era um militante comum. Experiente, com larga
história no ramo da Comunicação Social, sabia como ninguém dos podres que
pairavam sobre os nomes nobres da região. Publicou, certa vez, num dos cadernos
aos quais redigia textos jornalísticos a respeito do maior desvio de verbas
públicas para fins pessoais, que a monopolista família que governava a sua
cidade havia feito.
Nepotismo, superfaturamento de obras, falsificação
de documentos..., Dangelo tinha o que faltava em muitos editores de sua época:
coragem de romper com o lucro oriundo da impunidade.
Sua filha havia nascido fazia poucos anos e Flora
temia o desemprego. Mas ele não era o tipo de homem que fica calado por muito
tempo. Tinha o dom de expressar os fatos, sabia como fazer isso de uma forma
que prendesse o leitor, e isso refletia em números expressivos de exemplares
vendidos nas bancas:
- “Desculpe-me Cesar. Seu editorial não vai de
encontro com a ética que estabeleci para os meus passos, e seria um grande
choque se, ao invés de somar, minhas publicações levassem os leitores a ter uma
visão critica negativa das outras publicações de seu jornal. Lamento, mas não
posso aceitar”.
Por três vezes Flora tinha ouvido o mesmo discurso
sair da boca de seu marido ao receber, em casa, a visita de donos de jornais
locais interessados em tê-lo com editor de cadernos de política.
Embalados na última
declaração do músico Roger Waters, na qual o ex-líder da colossal banda de rock britânica Pink Floyd, disse ter se arrependido de ter processado seus amigos que
desejavam (e conseguiram) prolongar o grupo por mais alguns anos após sua
saída, a felicidade toma conta dos representantes soteropolitanos desse culto religioso
que é ser fã dos pupilos de Cambridge - Reino Unido. A banda Spectro, que há 12 anos vem revivendo os
encantos progressivos e psicodélicos do Pink Floyd, será uma das atrações na
edição 2013 do Movimento Outubro Rosa em Salvador,
promovido pelo Núcleo Assistencial para Pessoas com Câncer – Naspec.
A banda se apresentará
na noite do dia 09 de outubro, a partir das 21 horas, no Sesc – Casa do
Comércio, localizado na Av. Tancredo Neves, n° 1.109, bairro da Pituba, onde
contará com a participação de convidados ilustres da música baiana. São eles:
Arôldo Macedo, Márcio Messender, Tuca Fernandes e Luiz Caldas.
Com muita maturidade,
dedicação e amor, os integrantes: Aloísio Messeder (teclados, violão, voz), Maurício
Chastinet (guitarra solo, vocais), Eduardo Gil (guitarra base, violão, vocais),
Moacir Mallandro (baixo, vocais), Alex Canguçu (bateria), Júnior Sena (percussão
e samplers), Ângela Moura e Juliana Bastos (backing vocals) reproduzem a
essência e o prazer que é ser fã e tocar Pink Floyd. “A Spectro dedica-se com
afinco para executar as canções do Pink Floyd e assim podermos“viajar”
relembrando os solos de David Gilmour, a genialidade de Roger Waters, a
melodia de Richard Wright e a sutileza de Nick Mason, o que causa, no público,
reações inimagináveis”, afirmam eles.
Quanto a responsabilidade de fazer cover
de uma banda tão importante, eles ponderam: “A responsabilidade desta dedicação
à obra dos mestres do rock progressivo é enorme, porém não existe nenhuma
pretensão de se igualar ao som original, pois o compromisso da Spectro é levar
a legião de fãs da maior banda de rock de todos os tempos para uma noite de
satisfação e diversão com pura nostalgia”.
Esta é uma oportunidade
única para quem deseja apreciar o bom e nunca velho Rock Progressivo do Pink
Floyd, acompanhar o desempenho desses fãs/ídolos em suas performances e também
participar e colaborar com o Movimento Outubro Rosa e o Naspec.
Para obter mais
informações sobre a agenda do Movimento Outubro Rosa acesse o Blog da Naspec e
também a página deles no Facebook.
Sobre a banda Spectro,
acesse também a página da banda no Facebook e também o site oficial da banda www.bandaspectro.com.br.
Pra dar um gostinho a
mais, confiram uma das apresentações da banda Spectro tocando Breathe, com a
participação de Márcio Messender, no Teatro Jorge Amado que aconteceu em 2008:
Assim como a música e a
arte de compor, a literatura é um dos combustíveis para enfrentar a
dura realidade da vida atual. Não saberia definir quais são os meus espelhos e
exemplos na parte escrita da coisa, mas as histórias abrasileiradas de José de
Alencar e todo o mistério nos contos do americano Edgard
Allan Poe são, em parte, bases de inspiração.
Sem nenhum interesse de
institucionalizar a coisa, e ao longo em que escrevo mais, (de dois em dois
dias) vou lhes disponibilizar uma das minhas aventuras autorais. Uma trama que
envolve temas atuais, mas também está embebida de surrealismo, paixões e Drama.
O nome se chama: Por
Trás Das Escolhas – Uma história de todos nós, que conta os detalhes do
presente, e passado dos personagens Issah (um jovem sonhador que sai de sua
cidade do interior da Bahia pra correr atrás do sonho de ser um jornalista, na
Capital, se espelhando nas histórias que ouviu falar sobre o grande comunicador
que foi o seu avô) e Luana (uma garota cheia de traumas e mágoas por causa da
agressividade que fora exposta por sua família).
Claro que
disponibilizarei uma boa trilha sonora para cada postagem que venha a calhar
com o enredo da trama.
Vamos nessa?
Boa leitura!
POR TRÁS DAS ESCOLHAS Uma história de todos nós
Capítulo I: As visões
de Isaah
Todos os dias eu
encontro os mesmos desafios de sempre: procurar lógica para aquelas coisas que
ficaram perdidas pelo caminho. Passo a diante todas as possibilidades que me
são apresentadas. Em miúdos, sou um verdadeiro colecionador de desistências que
nunca viu o doce sabor da atitude bem sucedida.
Mas não vamos ficar
choramingando..., pretendo avançar nos critérios sistemáticos dessa história e
termina-la o mais rápido possível.
Nem todo mundo têm a
capacidade de desenvolver os dons que o nascimento lhes proporciona. Tampouco,
nenhum ser vivente – sejam eles gente ou bichos – tem a exclusividade no que
diz respeito aos dons. Virtudes são características qualitativas meramente
individuais quando se enquadra a ação isolada de alguém, mas todos podem
alcançar essa excelência.
Aquela cidade parecia
uma armadilha. Suas ruas eram disformes e seus habitantes pareciam definhar na
leveza sutil do caos metropolitano. No olhar, ninguém parecia ter vida. Era
como se estivessem conectados via wireless a um programa de subserviência
escrava. Mas ele estava no meio de tudo aquilo ali. Vivo, tentava enxergar
algum resquício de autonomia naqueles rostos e corpos otimizados na
uniformidade do trabalho.
A tortura que o mundo
lhe apresentava parecia ser pior que os efeitos da péssima alimentação e
postura ergonômica a qual todos os dias ele se submetia. Pensava: “como é
possível se sentir cidadão, quando se anda em latas velhas enferrujadas, cheias
de baratas e de péssima higiene?”. Mas se vivia, sim! Todos os dias os pontos
estavam lotados, e ele – assim como todos os outros – estava lá, esperando o
navio negreiro travestido de ônibus.
Ninguém poderia
imaginar o que se passava na mente de Isaah. Em contrapartida, ele também não
sabia explicar se aquele comportamento inerte coletivo era, de fato, exato.
Sabia que havia algo de estranho nos olhares. Percebia que o conformismo que
possuía o comportamento daqueles ‘gados’ era algo sobrenatural, ou talvez algum
tipo de hipnose em comuna.
Jovem, Isaah só
conhecia as coisas através dos livros e dos papos que, de forma descontraída,
havia tido com gente de tudo que era canto do planeta. O mundo disforme,
entrelaçado com a nova era da crise europeia que acometia os confins da
Croácia, ou as belezas em contraste com a inquietação da juventude lúcida da
Eslovênia. Muitas coisas não foram bem esclarecidas a respeito da separação que
a guerra travada na então Iugoslávia reportada com tanto vigor pelo jornalismo
inclinado, representado pela figura de um velho grosso e de pouca polidez, mas
de vocabulário exemplar. Um tal de Boris de sei lá o que.
Jozar, Damir, Rok... Ao
passo em que queriam conhecer as belezas de uma terra onde tudo dá, inclusive
mulheres, que o hábito – o de dar – é comum, aproveitando da sua facilidade em
ser natural (muitos diriam - como eles disseram - que ele conseguia ser
honesto), Isaah sugava como um buraco negro todo tipo de informação possível a
respeito daquele mundo tão desconhecido que era a Europa Oriental.
Não, não... Ele sabia
que aquilo tudo que estava lhe perseguindo era fruto de algum tipo de
subversão. Um controle invisível que estava deixando as pessoas cegas.
- “Mas que onda!
Ninguém nascera para subsistir”, pensava o pobre Isaah.
Tentava enxergar a
poesia rabiscada nas pichações espalhadas pela cidade, encontrar a beleza que
poderia se esconder nas curvas das meninas uniformizadas, ou nas mais
salientes, que por sua vez sabiam que alguém – como ele – iria reparar.
- “Será que hoje alguma
garota sentará ao meu lado? E se sentar, será que ela vai reparar que, em meu
pensamento, ela é tudo aquilo que minha fome de tudo quer?”, pensava ele,
sonhador.
Mas afinal, quem é
Isaah? O quê faz dele alguém de destaque que mereça estar nas linhas de uma
história? Ninguém mereceria! São coisas estritamente características em todos
os contos, crônicas e histórias. Mesmo assim é importante relatar quem foi ele.
Isso faz parte do processo de entendimento a respeito de até onde ele chegaria,
ou não.
Quem não gostaria de
tê-lo para si? Issah não era belo, tampouco se caracterizava aos estereótipos
buscados por qualquer que fosse os rótulos da vida. Diziam que ele tinha a
cabeça grande, no qual, segundo as falácias urbanas, esse fato fazia dele uma
pessoa propícia a ter uma Inteligência ímpar. Mas isso era muito relativo. Ele
mesmo se sentia “um pedaço de todo mundo que conheço”.
Aos sete anos de idade
perdeu os pais em um acidente de carro, viveu por longos anos com seu avô: um
quitandeiro misterioso, respeitado e admirado por muitos moradores da pequena
cidade em que viviam no recôncavo baiano.
Certa vez ele ouviu dizer que seu avô tinha
sido um homem muito importante da região. Figura política respeitada por muitos
que viviam ali, mas uma rixa ideológica tirou-lhe o que era de mais precioso.
Desde então, segundo contaram-lhe, ele passou a viver de forma conformada e
pacata. Sem se envolver com os assuntos administrativos de sua cidade.
Seu Dangelo era um
homem assombrado por seus fantasmas particulares. Escondia por trás de sua voz
mansa e gestos sutis, uma dor irreparável. Nunca havia visto seu avô sorrir.
Também nunca o viu chorar, ops... Viu sim. Uma vez e só! Certa vez, ao
pergunta-lhe a respeito de sua família, o menino descobriu um pouco da tristeza
que acompanhava a vida conformada de seu avô:
- “Vô... Conheço a tia
Suzy, tia Vaninha, tia Nair e muitos primos meus. Já vi fotos de muitos que
moram em outras cidades e também dos que já morreram, mas nunca ninguém quis me
mostrar uma foto da vovó. Por quê?”.
CONTINUA... Som Di Track indica para esse periódico da confusa história de Issah a música Um Bravo da banda baiana O Círculo:
A partir do último mês
junho, o Brasil passou a perceber que a única forma de tentar mudar as bases
políticas e lutar por melhorias é o protesto. Os movimentos que tomaram as ruas
das capitais e grandes cidades do país, mesmo que sem um êxito excelente,
provou o quão frágil é pensar que nossos gestores podem assistir nossas
demandas.
Nessa perspectiva, por
ver sua mãe, uma professora e sindicalista, lutando por direitos essenciais
para a categoria, que é uma das mais importantes para a sociedade, e tendo em vista a luta que os colegas dela estão travando por conta da falta de responsabilidade da gestão do município de Vera Cruz, onde o atual prefeito não quer dar o reajuste salarial previsto em lei para a categoria, decretando assim por via do sindicato dos professores GREVE GERAL, Fagner
Azevedo, (Um cara que vai muito mais além do que um grande amigo meu) resolveu
questionar:
UMA ADESÃO GERAL, POR
QUE NÃO?
Fagner Azevedo tem 26 anos, natural de Salvador, BA. Filho de professora e sindicalista foi militante estudantil e hoje é Cozinheiro Chef.
Pergunto-me: por que
não pode haver uma paralisação nacional dos médicos e educadores com o apoio
dos trabalhadores de ambos os setores, reivindicando não só melhores salários e
"direitos" já previstos por lei? (Função essencial? Trabalho e
remuneração digna também são!).
Fagner Azevedo em seu trabalho
Pergunto-me por que os
médicos e educadores não se juntam para bater no principal problema que é o DNA
dos dois sistemas; a estrutura física, logística, qualificação profissional,
(onde não só na medicina e a educação pecam, mas todo o conjunto de áreas onde
o estado brasileiro atua, dentro e fora do nosso território); reestruturação da
forma de fiscalização, forma de contratação, captação de recursos, forma de
como se fazer licitações, privatização, terceirização?
Não só na consolidação
do plano de carreira, mas também deve se pensar no plano de metas a serem
cumpridas, tanto quanto dos profissionais e também a qualidade de serviço
produzido pelos mesmos, serviço esse a ser utilizado por nós, povo brasileiro,
"eu, você, ele, aqueles, os outros, todos nós", não se esquecendo dos
estrangeiros que aqui vivem e dos brasileiros que lá fora moram. (por que
não?).
Vejo profissionais com
empenho e raça sacrificando-se e sugando de si mesmos o melhor que tem para
oferecer, e ao mesmo tempo frustrado por esbarrar em paredões de dificuldades
que o órgão público produz, e eis que perguntar não faz mal... Por que não
parar?
Para embalar as ideias a que o tema se refere, assista o vídeo da música Alegria Alegria, do cantor e compositor baiano Caetano Veloso: